Lp(a): Por Que Este Marcador Deveria Fazer Parte da Sua Próxima Avaliação de Saúde?
- Dr. Eduardo Fidelis
- 31 de jan.
- 4 min de leitura
Descubra o que é o Lp(a), seu impacto na saúde cardiovascular e por que considerar sua avaliação pode ser decisivo para prevenir doenças graves.
Você sabia que existe um fator de risco cardiovascular amplamente desconhecido que não é influenciado por dieta ou exercício? Estamos falando do Lipoproteína(a), ou Lp(a), uma partícula lipídica que combina aspectos do LDL, conhecido popularmente como “colesterol ruim”, com proteínas especiais. Apesar de sua função relevante na saúde, apenas a minoria dos médicos avalia sua concentração. O que faz do Lp(a) tão importante e por que ele deveria ser considerado em avaliações de saúde de uma parte significativa da população? Entenda nesse artigo.
O Que é o Lp(a)?
Lp(a) é uma lipoproteína composta por uma partícula de LDL ligada à apolipoproteína(a). Sua estrutura a torna particularmente perigosa para a saúde cardiovascular devido às seguintes características:
Propriedades Pró-Trombóticas e Inflamatórias: O Lp(a) transporta fosfolipídeos oxidados que estimulam processos inflamatórios e de coagulação, agravando o risco de formação de placas arteriais.
Risco Genético: Os níveis de Lp(a) são determinados geneticamente e variam amplamente entre indivíduos, sendo pouco influenciados por fatores ambientais como dieta e exercício, tornando sua detecção ainda mais importante.
Distribuição Populacional: Estudos apontam que cerca de 20% da população mundial apresenta níveis elevados de Lp(a), considerados acima de 50 mg/dL, associados a um aumento significativo no risco de doenças cardiovasculares, como infartos e AVCs.

Impactos na Saúde
A presença de altos níveis de Lp(a) está fortemente associada a uma série de condições graves, incluindo:
Doença Arterial Coronariana: O Lp(a) é conhecido por exacerbar o desenvolvimento de placas ateroscleróticas, aumentando o risco de infarto e insuficiência coronariana.
Estenose da Valva Aórtica: Estudos mostram uma relação direta entre níveis elevados de Lp(a) e o endurecimento da valva aórtica, uma condição que pode levar à necessidade de intervenções cirúrgicas complexas e de alto risco.
Riscos Trombóticos: Além de contribuir para a formação de placas, o Lp(a) também interfere no sistema de coagulação, aumentando a propensão para tromboses, como embolias pulmonares e trombose venosa profunda.
Complicações Neurológicas: A literatura também sugere uma conexão entre altos níveis de Lp(a) e riscos aumentados de AVC isquêmico.
Por Que Avaliar o Lp(a)?
Enquanto outros marcadores lipídicos, como o LDL e o colesterol total, são comumente solicitados em exames de rotina, a avaliação do Lp(a) ainda não é amplamente recomendada. No entanto, existem várias razões para incluí-lo na próxima avaliação de saúde:
Risco Residual: Mesmo após tratar o colesterol LDL com medicamentos como estatinas, indivíduos com altos níveis de Lp(a) continuam apresentando risco elevado de eventos cardiovasculares. Este risco residual é um fator frequentemente ignorado.
Histórico Familiar: Para aqueles com histórico de doenças cardiovasculares precoces na família, o Lp(a) pode ser um indicador crítico. Ele permite identificar vulnerabilidades genéticas antes que complicadores clínicos se manifestem.
Personalização do Tratamento: Conhecer os níveis de Lp(a) permite a elaboração de um plano de intervenção mais adequado, incluindo tratamentos emergentes como terapias baseadas em RNA para redução do Lp(a). Além disso, facilita a estratificação de risco e o manejo de outros fatores correlacionados.
Prevenção Direcionada: Ao identificar níveis elevados precocemente, medidas de prevenção podem ser implementadas antes do desenvolvimento de doenças clínicas severas.
Terapias e Pesquisas Promissoras
Atualmente, as opções para reduzir os níveis de Lp(a) são limitadas. Lipoproteína aférese é eficaz, mas é um procedimento invasivo, dispendioso e requer frequência regular. Entretanto, avanços recentes em terapias genéticas prometem resultados mais eficazes:
Terapias de RNA: Estudos clínicos com antisense oligonucleotídeos, como pelacarsen, e pequenas moléculas de RNA interferente, como olpasiran, demonstram reduções de até 90% nos níveis de Lp(a). Estas terapias oferecem uma abordagem altamente direcionada e com menos efeitos colaterais.
Impacto em Eventos Cardiovasculares: Ensaios clínicos estão em andamento para avaliar os benefícios dessas reduções na prevenção de infartos, AVCs e outras complicações cardiovasculares graves.
Futuro Promissor: Embora ainda não amplamente disponíveis, essas terapias sinalizam uma revolução no manejo de riscos cardiovasculares relacionados ao Lp(a).
Conclusão
Incluir a avaliação do Lp(a) em estratégias de saúde não é apenas uma questão de previsão de riscos, mas também uma oportunidade de intervenção precoce. Para indivíduos com histórico familiar de doenças cardiovasculares ou em situações de risco residual elevado, medir o Lp(a) pode ser um divisor de águas na saúde a longo prazo. Além disso, a integração de tratamentos emergentes promete transformar o panorama de prevenção e manejo de doenças cardiovasculares no futuro próximo.
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Referências:
Alhomoud, I. S., et al. (2023). Role of lipoprotein(a) in atherosclerotic cardiovascular disease: A review of current and emerging therapies. Pharmacotherapy, 43(10), 1051-1063.
Nurmohamed, N. S., et al. (2022). Considerations for routinely testing for high Lp(a). Current Opinion in Lipidology, 33(3), 213-218.
Tasdighi, E., et al. (2024). LP(a): Structure, Genetics, Associated Cardiovascular Risk, and Emerging Therapeutics. Annual Review of Pharmacology and Toxicology, 64, 135-157.
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