Hipertrofia Muscular: Quanto Mais Calorias, Melhor?
- Dr. Eduardo Fidelis
- 28 de fev.
- 3 min de leitura
A armadilha do superávit calórico na busca pela hipertrofia muscular. Saiba como encontrar o equilíbrio ideal.
A relação entre o consumo calórico e o ganho de massa muscular é um dos temas mais debatidos no mundo da nutrição esportiva. A lógica aparente sugere que quanto mais calorias forem consumidas, maior será a hipertrofia muscular. No entanto, essa ideia não apenas simplifica excessivamente um processo biológico complexo, como também ignora aspectos fundamentais da composição corporal e do metabolismo humano.
A ilusão do superávit excessivo
É inegável que há uma relação diretamente proporcional entre o fornecimento de energia de uma dieta e o estímulo hipertrófico que dele decorre. Sem um fornecimento adequado de energia, a síntese proteica fica prejudicada, impedindo o crescimento das fibras musculares. Disso não se segue, contudo, que se deve exagerar na ingestão calórica; nem que seja impossível aumentar a massa muscular com dietas hipocalóricas.
Três coisas há que se considerar em uma dieta hipercalórica: 1) em toda dieta hipercalórica haverá ganho de massa gorda; 2) quanto maior o superávit calórico, maior a adipogênese; e 3) aparentemente, existe um limite, a partir do qual o excesso calórico não resulta em maior estímulo hipertrófico.
Fica mais fácil, então, de compreender por que não se deve iniciar uma dieta hipercalórica pessoas com elevada porcentagem de gordura corporal; e por que aumentar indiscriminadamente a quantidade de calorias na dieta pode não ser uma boa estratégia para o ganho de massa muscular.
O abrupto e significativo aumento da massa gorda, aumenta consideravelmente o risco de desenvolver alterações metabólicas, como a resistência insulínica. Somado que há um limite de estímulo hipertrófico proveniente da ingestão calórica, o qual não se pode prever, segue-se que a melhor estratégia é aumentar gradualmente o fornecimento de energia, na medida em que a quantidade de massa gorda estiver adequada.
A recomendação geral é que se aumente cerca de 200 Kcal a cada 2 a 4 semanas, e que se faça avaliações físicas precisas frequentemente, a fim de garantir que não haja ganho excessivo de gordura durante essa fase, até encontrar o ponto ideal, equilibrando o máximo de ganho de massa muscular com o mínimo de ganho de massa gorda.
Outros fatores influenciam na hipertrofia muscular
A confusão geralmente se encontra na tentativa de reduzir um processo complexo, como a hipertrofia muscular, a apenas uma variável, a ingestão calórica, desconsiderando todos os ostros fatores que o influenciam.
A hipertrofia muscular é influenciada por variáveis como qualidade do treinamento, descanso adequado, níveis hormonais, e estados de saúde e de hidratação. A ingestão excessiva de calorias não compensa, por exemplo um treino ineficiente, caracterizado por falta de intensidade e volume insuficiente. Da mesma forma que um sono inadequado prejudica a síntese proteica e a recuperação muscular, limitando o crescimento dos músculos.
Portanto, atribuir o sucesso da hipertrofia muscular a uma variável secundária, como a ingestão energética, é simplista e tem grandes chances de levar a resultados insatisfatórios e frustrações irreversíveis.
Hipertrofia sem superávit: mito ou realidade?
Contrariando o senso comum, é possível ganhar massa muscular mesmo em déficit calórico, desde que não seja excessivo e que os outros fatores o compensem. Quando se limita o déficit calórico em até 500 Kcal, há ainda um bom estímulo hipertrófico.
Conclusão: a estratégia ideal para o crescimento muscular
A abordagem mais eficiente para a hipertrofia muscular não é um superávit indiscriminado, mas sim um balanço cuidadoso entre ingestão calórica moderada, distribuição adequada de macronutrientes e um treinamento estruturado. O consumo de calorias deve ser suficiente para impulsionar o crescimento muscular, mas sem ultrapassar o limiar que levaria a um acúmulo excessivo de gordura.
O DietEvolution oferece uma educação alimentar fundamentada em evidências científicas, permitindo que indivíduos ajustem suas dietas com inteligência e autonomia. Ao compreender os limites do superávit calórico e otimizar os fatores que realmente influenciam a hipertrofia, é possível maximizar os ganhos musculares sem comprometer a composição corporal.
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