top of page

A Relação Entre Obesidade e Câncer Colorretal

A crescente prevalência da obesidade é um fenômeno global que se manifesta de forma preocupante nas últimas décadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a proporção de adultos com sobrepeso ou obesidade dobrou desde 1990, alcançando 43% da população adulta mundial em 2022. Este cenário alarmante levanta uma série de questões sobre os impactos da obesidade não apenas nas doenças cardiovasculares, mas também no risco de cânceres, incluindo o câncer colorretal (CRC). O estudo conduzido por Fatemeh Safizadeh e colaboradores — publicado em 2025 no JAMA Network Open — oferece uma perspectiva inovadora sobre como medidas de obesidade central, como circunferência da cintura (WC) e relação cintura-quadril (WHR), podem ser indicadores mais robustos do risco de CRC do que o tradicional índice de massa corporal (IMC).


A Complexidade da Obesidade e Seu Impacto no Risco de Câncer Colorretal

A obesidade é frequentemente caracterizada pelo IMC, uma medida amplamente utilizada por sua simplicidade e acessibilidade. Contudo, o IMC apresenta limitações significativas, pois não reflete adequadamente a distribuição da gordura corporal, um fator crucial na relação entre obesidade e câncer. Estudos como o de Safizadeh et al. destacam que medidas de obesidade central, como WC e WHR, apresentam correlações mais fortes com o CRC. A gordura visceral, que se acumula na região abdominal, é metabolicamente ativa e está associada a processos inflamatórios crônicos e à resistência à insulina, fatores que contribuem para a carcinogênese.


No estudo em questão, a população analisada foi composta por 458.543 participantes do UK Biobank, acompanhados ao longo de 11,8 anos em média. A análise revelou que os riscos relativos de CRC foram consideravelmente maiores para WC (HR: 1,37; IC 95%: 1,27-1,49) e WHR (HR: 1,40; IC 95%: 1,29-1,51) em comparação com o IMC (HR: 1,23; IC 95%: 1,14-1,33). Além disso, a fração atribuível à população (PAF) — a proporção de casos de CRC atribuíveis à obesidade — foi significativamente maior para WC (17,3%) e WHR (17,6%) do que para o IMC (9,9%).


Considerações Metodológicas e Implicações dos Achados

A robustez metodológica do estudo é um de seus pontos altos. Os pesquisadores abordaram fontes potenciais de viés, como a perda de peso pré-diagnóstica, ao excluir os primeiros anos de acompanhamento dos participantes, o que levou a estimativas ainda mais consistentes entre as diferentes medidas de obesidade. Além disso, o uso de técnicas estatísticas avançadas e de uma base de dados extensa como o UK Biobank confere credibilidade aos resultados.


No entanto, é essencial considerar algumas limitações. O estudo não aborda diretamente os mecanismos biológicos que explicam as diferenças entre as medidas de obesidade. Além disso, a população predominante branca do UK Biobank pode limitar a generalização dos achados para outras etnias.


As implicações clínicas e de saúde pública são profundas. Estes resultados reforçam a necessidade de incorporar medidas de obesidade central em protocolos de triagem e prevenção de CRC. Políticas de saúde que enfatizem a redução da gordura abdominal através de intervenções dietéticas e de atividade física podem ser particularmente eficazes para mitigar o risco de CRC.


A Conexão Com a Educação Alimentar e a Prevenção Integrada

Neste contexto, plataformas como o DietEvolution podem desempenhar um papel crucial. O foco em educação alimentar personalizada e na autonomia do paciente encontra ressonância com os achados do estudo de Safizadeh et al. Ao promover o controle da gordura visceral por meio de escolhas alimentares conscientes e sustentáveis, iniciativas como esta não só combatem a obesidade, mas também previnem condições associadas, como o CRC.


Conclusão

O estudo conduzido por Safizadeh et al. lança luz sobre a necessidade de reconsiderar os paradigmas vigentes na avaliação do impacto da obesidade no câncer colorretal. Enquanto o IMC tem sido amplamente utilizado, é evidente que medidas de obesidade central oferecem uma compreensão mais acurada do risco. Em última instância, estas descobertas sublinham a importância de uma abordagem holística e baseada em evidências para a prevenção e o tratamento da obesidade, integrando educação, mudanças comportamentais e políticas de saúde pública.

Comments


bottom of page